sexta-feira, 6 de outubro de 2023

ANOTAÇÕES DEIXADAS PELO CAP. MIGUEL DE ARRUDA, DE ACORDO COM O TRASLADO FEITO POR SEU FILHO ANANIAS ARRUDA, E QUE ABAIXO SE TRANSCREVE

Ananias Arruda (1886-1980)

Miguel de Arruda (1849-1923)

Publicado no livro "Os Arrudas de Baturité " - Esboço de Genealogia - Miguel Edgy Távora Arruda - 1976 - paginas 51 e 52

Transcrito por: ana margarida furtado arruda rosemberg


Por: Ananias Arruda

 “Do livro de notas, escrito pelo próprio punho de meu pai, copiei o seguinte:”

“Eu, Miguel de Arruda, filho legítimo de João José de Arruda e D. Maria Quitéria de Arruda, nasci na fazenda Oiticará, freguezia de Sant’Anna do Acarahu, a 23 de Setembro de 1849, em um domingo, pelas 8 horas da manhã; fui baptizado solemnimente na Matriz de Sant’Anna, pelo Rvmo Vigário Miguel Francisco da Frota, foram meos padrinhos o Snr. Major Francisco Anastacio de Vasconcellos; fui chrismado, foi meo padrinho o Major Antonio Mendes. Casei-me a 17 de Setembro de 1874 com a Exma Snrª D. Maria Livramento Arruda, na Matriz de S. Antonio do Aracay-Assú, pelo Rvmo Vigário José Silvina de Maria Vasconcellos, em uma quinta feira, pelas 4 horas da tarde, foram nossas testemunhas o Rvmo Vigário Diogo José de Sza Lima e meo mano Francisco Angelo de Arruda e as Exmas Snras Das  Maria Coelho de Araujo e Francisca Leopoldo de Vaslos.

- Nasseo meo filho João a 13 de Julho de 1875 em uma terça feira, pelas 5 horas da manhã, na fazenda Bilheira, propriedade de meo sogro, foi baptizado na Matriz de S. Antonio, pelo Rvmo Vigo José Silvino de Mª Vaslos , foram pp. O meo sogro José Roiz de Vaslos e ma sogra Francisca Bizerra de Vaslos, foi crismado, foi p. meo mano João Tiberio de Arruda.

- Nasseo meo filho Vicente, na fazenda Bilheira, a 19 de Junho de 1876, em uma segunda feira a uma hora da tarde, foi baptizado na Matriz de S. Antonio pelo Rvmo Vigo José Silvino de Mª Vasconcellos, foram pp meo cunhado Vicente Rodrigues de Vaslos e ma madrasta Quitéria Maria de Arruda, foi chrismado, foi p. meo cunhado Jeronimo Roiz de Vaslos.

- Nasseo meo filho José na fazenda Monte-bello, propriedade do Rvmo Vigário Diogo José de Szª Lima onde passamos a secca de 77, a 13 de Agosto, em uma quarta feira pelas 7 horas da noite, foi baptizado na Capella de N. S. dos Remedios e foram pp. O mesmo Vigro Diogo e a Exmª Snrª D. Ursula Balbina Roiz Lima, foi chrismado, foi p. meo cunhado Antonio Roriz de Vaslos.

              - Nasseo meo filho Antonio na Povoação de S. Antonio de Aracaty-Assú, a 18 de Desembro de 1878 em uma quarta feira pelas 8 horas da manhã, foi baptisado na Matriz de S. Antonio pelo Rvmo Vigro José Silvino Ma Vaslos, foram pp. meo mano Francisco Angelo de Arruda e minha cunhada Florencia Roiz de Vaslos, foi chrismado, foi p. o Snr. Major Vicente Leocadio de Vaslos.

            - Nasseo meo filho Jeremias na Povoação de S. Antonio do Aracaty-Assú, a 5 de Março de 1882 em uma Dominga pelas 5 horas da manhã, foi baptisado na Matriz do mesmo povoado pelo Rvmo Pedro Rocha, foram pp. o Snr. Capm Raimundo Fernandes de Aguiar e minha cunhada Emiliana Maria de Vaslos, foi chrismado, foi p. meo cunhado Manoel Roiz de Vaslos.

            - Nasseo meo filho Ananias na Povoação de S. Antonio do Aracaty-Assú, a 23 de Maio de 1886, em uma Dominga pelas 10 horas da manhã, foi baptisado na Matriz do mesmo povoado, pelo Rvmo Vigrº Philomeno do Monte Coelho, foram pp. o Snr. Capm Miguel Archanjo da Rocha e a Exma Snra D. Maria Elisa de Aguiar, foi chrismado, foi p. o Snr. Corel Antonio Mont’Alverne.

            - Nasseo minha filha Maria Adelina na Povoação de S. Antonio do Aracaty-Assú, a 25 de Agosto de 1887, pelas 5 horas da tarde, em uma quarta feira, foi baptisada na Matriz do mesmo Povoado pelo o Rvmo Vigro Philomeno do Monte Coelho, foram pp. o mesmo Vigro e minha mana Maria Marcolina de Arruda, foi chrismada, foi madrinha a Exmª Snrª D. Maria Estelita.

            - Naseo meo filho Eurico na cidade de Baturité a 21 de Junho de 1892, em uma terça feira pelas 9 horas da manhã, foi baptizado na Matriz da mesma cidade, pelo Rvmo Antero, foram pp. o Snr. Dor Antonio Arruda e sua mer a Exmª Snrª D. Sinhá Arruda, foi chrismado, foi p. o Snr. João Aguiar.

            - Nasseo meo filho Raimundo na cidade de Baturité, a 31 de Agosto de 1893 em uma quarta feira, pelas 11 horas da noite, foi baptizado na Matriz da mesma cidade, pelo Rvmo Vigro Antero, foram pp. o Snr. Corel Francisco Antonio Marques de Olivra e sua mulher a Exmª Snrª D. Maria Joana de Oliva, foi chrismado, foi p. o Snr. Capm João Capistrano.

            -Nasseo minha filha Maria Luisa na cidade de Baturité, a 14 de Junho de 1902 em uma segunda feira pelas 3 horas da tarde, foi baptisada na Matriz da mesma cidade pelo Monsor Manoel Candido dos Santos, foram pp. o Snr. Dr  Raimundo Leopoldo Coelho de Arruda e N. S. da Conceição, foi chrismada, foi madrinha a Exma Snra D. Francisca Perdigão.”

É o que continha no dito caderno do qual copiei fielmente.

(assinado) Ananias Arruda.”

 

“Minha mãe, Maria do Livramento Arruda, nasceu em 1856, no dia 4 de janeiro. Além dos 10 filhos de meus pais que acima registrei, tiveram os mesmos mais onze filhos que morreram, pouco tempo depois de nascidos, tendo o mais velho destes apenas 5 mezes de idade quando morreu. Baturité, 14-7-1919.”

Miguel Edgy Távora Arruda






quinta-feira, 5 de outubro de 2023

TRÊS COPISTAS DA FAMILIA ARRUDA

Miguel de Arruda (1849 -1923)

TRÊS COPISTAS DA FAMILIA ARRUDA

Por: ana margarida furtado arruda rosemberg

Segundo o “Dicionário Michaelis”, copista é aquele que copia ou transcreve um texto por escrito; pessoa que, antes do advento da imprensa, transcrevia manuscritos. 

A palavra “amanuense”, do latim amanuensis, “ab manu” (à mão), se refere aquele que faz cópia de textos ou documentos à mão. O amanuense é, vulgarmente, usado para o escriturário de uma repartição pública que registra manualmente documentos.

No Antigo Egito, os copistas, conhecidos como “escribas”, usavam “papiro” para seus escritos. O "pergaminho", peles tratadas de carneiros ou cabras, foi a base utilizada pelos monges medievais que desenvolveram a arte de copiar livros com penas de ganso. As cópias de livros decoradas com pinturas, pelos referidos monges, pertencentes ao seleto grupo de pessoas que sabiam ler e escrever, eram obras de arte raras e caras.

Os escritos da Antiguidade nos foram legados pelo árduo trabalho de transcrever manuscritos, no interior dos mosteiros, em um quarto chamado scriptorium, daí a terminologia com significado da palavra escritório.

No final da Idade Média e começo do Renascimento, com a introdução do papel, invenção chinesa barata e abundante, e a invenção da imprensa pelo alemão Johannes Gutenberg (1400- 1468), os copistas tradicionais perderam espaço, mas não desapareceram.

Há, também, copistas de obras de arte, como: pinturas, gravuras e esculturas. Muitos gênios da pintura, como Caravaggio, aprenderam o ofício copiando seus mestres. Os museus do Louvre e d’Orsay, em Paris, são famosos pelos seus copistas.

Na família Arruda do Ceará, três descendentes de Amaro José de Arruda (c.1770 - 1832), o “Patriarca de Oiticará”, fizeram o papel de copistas quando transcreveram textos escritos por João José de Arruda (1812-1878), filho de Amaro José, e Miguel Arcanjo (1849-1923), neto da Amaro José; a saber: Ananias Arruda (1886-1980), Miguel Edgy Távora Arruda (1919-2010) e Ana Margarida Furtado Arruda Rosemberg (1950).

Transcrevi, Ipsis litteris, textos publicados pelo historiador Miguel Edgy Távora Arruda, nos anexos de sua genealogia “Os Arrudas de Baturité”, 1976.

São dois textos transcritos por Ananias Arruda (primeiro copista), em 1918 e 1919. O texto nº1, transcrito, Ipsis litteris, com caneta tinteiro, do livro de notas escrito pelo próprio punho de seu pai, Miguel de Arruda, a bico de pena. O texto nº2, transcrito, também, Ipsis litteris, com caneta tinteiro, de anotações deixada pelo seu avô, João José, a bico de pena.

Esses textos foram transcritos por Miguel Edgy Távora Arruda (segundo copista), Ipsis litteris, em 1976, datilografados, e publicados em seu livro de genealogia, referido acima.

Eu, ana margarida furtado arruda rosemberg (terceira copista), transcrevi os textos, Ipsis litteris, usando o editor de textos Word, hoje, 05.10.2023, e postarei amanhã no blog do Museu Comendador Ananias Arruda.

ana margarida furtado arruda rosemberg

Fortaleza, 5 de outubro de 2023

Ananias Arruda (1886-1980)

Miguel Edgy Távora Arruda (1919-2010)

ana margarida furtado arruda rosemberg (1950)

terça-feira, 3 de outubro de 2023

Visitas ao Museu Comendador Ananias Arruda 30.09.2023 e 01.10.2023

O Museu Comendador Ananias Arruda recebeu sábado, 30.09.2023, a ilustre visita do casal Eurico Távora Arruda & Beatriz Melo Arruda, Walmir Penaforte (antigo tipógrafo da gráfica A Verdade)  e João Bosco Silva. No domingo, 01.10.2023, a ilustre visita foi do casal Goretti Arruda & Souza Lessa. As duas secretárias, Cleonice e Ivonice, participaram das visitas com a atenção de sempre.








































sexta-feira, 29 de setembro de 2023

Por: Ananias Arruda - VISITANDO O QUERIDO MUNICÍPIO CEARENSE ONDE NASCI – SOBRAL – GRATAS RECORDAÇÕES DOS MEUS ANTEPASSADOS

Ananias e Donaninha - Baturité - 17 de setembro de 1911

VISITANDO O QUERIDO MUNICÍPIO CEARENSE ONDE NASCI – SOBRAL – GRATAS RECORDAÇÕES DOS MEUS ANTEPASSADOS

 Ananias Arruda

Às 2 e 30, do dia 12 deste mês, num V8, devidamente aparelhado com ótimo rádio, guiado pelo próprio dono e hábil chaufeur Waldemar Silva, parti de Fortaleza rumo a Sobral, com minha esposa Donaninha S. Arruda, minhas filhas adotivas Rocilda e Luizinha Comaru, minha irmã Maria Adelina Arruda Furtado e minha tia Maria Elisa de Vasconcelos. Meia hora antes haviam partido, noutro automóvel, o meu irmão, Raimundo Arruda, o meu primo José Carneiro de Vasconcelos, funcionário da R.V.C. e sua filhinha Mundica. Depois de quatro horas e meia de feliz viagem chegamos a Santo Antonio do Aracati-Açu, do Município de Sobral, querida terra onde nasci. Numa vasta casa de residência do meu primo co-irmão, João Albertino de Vasconcelos, nos hospedamos.

Encontramos a localidade em festas – ruas embandeiradas e desusado movimento. Numa travessa que liga a rua principal a uma transversal, ao lado, de uma mesa que estava circulada por muitas pessoas, Manoel de Souza, honrado vaqueiro do gado do patrimônio da freguesia, em altas e entusiastas palavras anunciava à venda em leilão, vários objetos oferecidos em benefício da festa de Santo Antonio que então se celebrava. Cerveja gelada ao sereno, jerimuns de vazante, queijos do sertão e outras prendas eram arrematadas pelos fazendeiros que lá estavam.

O rádio do automóvel, anunciava a Hora do Brasil, transmitia óperas e cançonetas das estações do Rio de Janeiro, e uma bela Hora Santa, em São Paulo.

Dia seguinte, 13 de junho, festa do grande Thaumaturgo – Missa rezada às 7 horas, às nove Missa cantada pelo zeloso vigário da freguesia Revmo. Pe. Eudes Fernandes, que no Evangelho proferiu eloquente panegírico do Santo Padroeiro. Às 5 horas da tarde bem-organizada procissão percorreu as ruas da localidade. Na mesma, via-se o colégio local D. José Tupinambá, uniformizado, Escola Pública, Apostolado da Oração com seus emblemas, crianças, Senhoras e Senhoritas e muitos homens formando duas longas alas que tinham à frente a cruz processional; ao centro à frente do Padre, em bem  arranjados andores, elevavam-se as belas imagens de Santo Antonio e do Sagrado Coração de Jesus, precedidas de lindos estandartes.

Ao terminar a procissão, foi dada a Benção Solene do Santíssimo Sacramento, subindo ao ar girândolas de foguetes que espocavam a elevadas alturas, ecoando festivamente nas quebradas das serras vizinhas. O tradicional Bendito – De Lisboa, França e Itália, cantado por harmoniosas vozes femininas, no mesmo tom em que era cantado no meu saudoso tempo de criança, causando-me gratas recordações de minha infância, fechou com chave de ouro a bela festa do Padroeiro de minha amada terra natal.

Percorri com indescritível emoção a vasta casa onde nasci, construída por meu inesquecível pai Miguel de Arruda, e visitei os lugares onde passei os cinco primeiros anos de minha existência. Meditei profundamente ao ver a Pia Batismal de minha primeira Igreja Matriz, onde, a 9 de junho de 1886, fui regenerado nas sagradas águas do Batismo, tornando-me filho de Deus e da Igreja, sendo meus padrinhos Miguel Carlos Maná Rocha e Dona Maria Mont’Alverne, esposa do Cel. Antonin Mont’Alverne, então importante comerciante em Sobral, mais tarde meu padrinho de Crisma.

Às 14 horas daquele dia, acompanhados pelo Pe. Eudes, fomos visitar a fazenda Bilheira, antiga propriedade de meus saudosos avós maternos, José Rodrigues de Vasconcelos, falecido, em 1878, e Francisca Bezerra de Araújo Vasconcelos, falecida em Baturité, no ano de 1914. Na antiga casa da Bilheira, da qual ainda existe uma parte, nasceu a minha santa Mãe, Maria do Livramento Arruda, de imperecível memória. Ao lado da mesma casa existe desde aquele tempo, um frondoso tamarineiro.

Da fazenda Bilheira, por onde passa a estrada para Santa Quitéria, fomos até a Fazenda Olho d’Água, onde existem as importantes fontes termais, conhecidas por Olho d’Água do Pagé.

Dentro de baixos muros cobertos com um telhado que serve de banheiro vêem-se duas fontes dentro de dois pequenos tanques anexos, de dois metros mais ou menos por menos de um, cheias de água cristalina com pequena profundidade. O primeiro, cuja água conserva-se continuamente fria, sangra sem parar, em pequeno jorro para o vizinho, cuja água é sempre morna. Deste, a água jorra sem aumento ou diminuição de quantidade para dentro de outro tanque maior que fica fora e que serve de bebedouro aos animais. Este também sangra para o campo, desaparecendo a água, a pequena distância. Dizem os habitantes do lugar que aquelas águas, têm curado de maneira admirável muitas pessoas doentes da pele.

O governo do Estado deveria mandar fazer exame completo daquelas medicinais águas do Pajé e tratá-las com o carinho que merecem.

Santo Antonio do Aracati-Açu, importante distrito do município de Sobral e, sede de freguesia, ótimo sertão de criar no Norte do Estado, se acha em completo abandono da parte dos governos. Freguesia antiga que passou mais de sessenta anos sem vigário próprio, felizmente possui atualmente virtuoso cura o Revmo Padre Edes que com acendrado zelo trabalha pelo bem espiritual, educacional e material da feguezia, fundando colégio e associações, ensinando aos ignorantes a sã doutrina evangélica.

Lá não há telégrafo, nem siquer uma pequena agência do correio. A única escola pública que o governo mantém, está a cargo de uma professora, aliás, distinta, mas sem diploma. Santo Antonio que teve a honra de possuir como educadora a ilustrada escritora cearense Alba Valdez, não tem hoje, depois de muitos anos, quando o Ceará tem progredido admiravelmente, uma professora nem da quarta infância.

Ao Exmo. Sr. Dr. José Martins, M.D. Secretário do Interior e Justiça, em nome das famílias de minha terra, peço para Santo Antonio uma professora diplomada, inteligente e dedicada que lá estabeleça o ensino de acordo com a pedagogia moderna.

No Aracti-Açu não houve inverno este ano – os seus campos estão desprovidos de pastagens; os gados magros e em grande parte doentes de aftosa. Nada fez ainda o governo em benefício daquele povo bom, trabalhador e sofredor.

Peço permissão ao Exmo. Sr. Dr. Menezes Pimentel, D. Governador do Estado para dizer a S. Excia. que é mister mandar construir, com máxima urgência a estrada de rodagem de Patos a Santa Quitéria, passando por Santo Antonio, aproveitando a estrada atual pela qual trafegam ainda que com alguma dificuldade, caminhões em transporte de algodão, oiticica e outros produtos, dando assim trabalho aquele povo e matando a fome a muita gente. É mister também que o Senhor Governador consiga a criação de uma agência do Correio para lá, de acordo com um pedido feito pelos comerciantes e criadores de Santo Antonio em abaixo assinado, com firmas reconhecidas em número de 75, por mim encimado ao Diretor Regional dos Telégrafos e Correios por intermédio do Senador Edgard Arruda.

Dentre os operosos habitantes de Santo Antonio, destacam-se no comercio e na pecuária os Srs. Gabriel Porfirio Cavalcante, João Martins, Estelita de Vasconcelos, João Albertino de Vasconcelos, Israel Vasconcelos e outros que lá construíram confortáveis prédios onde residem e negociam. O Sr. Gabriel construiu grande parte de um moderno mercado que lá existe.

No dia 14, às 16 horas, partimos de Santo Antonio para Sobral, lá chegando às 7 horas. Na sede do Município, a cidade capital da zona norte do Estado, nos hospedamos na casa do meu primo afim o Sr. Manoel Rios, à rua Santo Antonio. Assistimos a missa na Sé, às 9hs. Visitamos o Exmo. Sr. Dom José Tupinambá ilustrado Bispo diocesano e Colégio Santa Inês, importante educandário das abnegadas Irmãs de Santana.

O zelo apostólico de Dom José, que fundou o Seminário e o Liceu, modelares educandários sobralenses, estabeleceu o referido Colégio Santa Inês no confortável Paço Episcopal mudando sua residência para outro edifício menos confortável. Percorremos a cidade e visitamos muitos parentes e amigos.

Às 16 horas partimos para Massapê, moderna cidade construída e habitada por amados parentes meus. Lá nos hospedamos na casa de minha tia paterna Rachelina Arruda Ponte. Visitamos a cidade e numerosos parente dentre os quais o deputado João Ponte e Exma. Família que nos acolheram com carinho.

No dia seguinte, fui até o “Oiticará”, antiga fazenda de meus avós, distante uma légua de Massapê e duas de Sobral. Lá encontrei o lugar da casa onde nasceu meu extremecido pai.

Às 11 ½ partimos para Sobral, chegando às 12 ½, almoçamos, visitamos alguns parentes, a importante fábrica de tecidos do Dr. José Saboia e, às 16 horas regressamos a Fortaleza, onde chegamos às 8 ½ da noite, tendo demorado meia hora em São Francisco, trazendo todas saudosas recordações da excursão.

Terminando esta simples notícia da vigem que fiz a minha querida terra, devo dizer que Sobral, a grande, bonita e tradicional cidade, sede de Bispado, centro comercial e industrial deve ser tratada com mais carinho pelo novo governo municipal que ora inicia.

Baturité, 20-6-36

Ananias Arruda

Texto publicado no Jornal "A Verdade" de 23 de maio de 1986

Abaixo