domingo, 1 de fevereiro de 2026

CRISTALEIRA HISTÓRICA QUE PERTENCEU AO CASAL CAPITÃO MIGUEL DE ARRUDA E SUA ESPOSA LIVRAMENTO VASCONCELOS ARRUDA



 Fonte IA

Ficha Catalográfica / Inventário Patrimonial

Denominação: Cristaleira / Bufê com vitrine

Categoria: Mobiliário doméstico histórico

Autor / Oficina: Desconhecida (produção artesanal)

Datação provável: Final do século XIX – início do século XX (c. 1880–1910)

Local de origem: Ceará, Brasil (possivelmente região Norte/Serra de Baturité)

Proveniência: Pertenceu ao casal Capitão Miguel de Arruda e Livramento Vasconcelos Arruda, oriundos de Santo Antônio do Aracatiaçu (município de Sobral), estabelecidos em Baturité-CE em junho de 1891.

Material e técnica:

  • Estrutura em madeira maciça, provavelmente cedro (Cedrela fissilis)
  • Elementos torneados e entalhados manualmente
  • Vitrine com painel de vidro
  • Tampo em pedra (possivelmente mármore ou ardósia)

Descrição formal: Móvel composto por duas seções: base inferior fechada com portas e gavetas, e corpo superior com vitrine envidraçada destinada à exposição de louças e cristais. Apresenta colunas torneadas laterais, friso decorativo e frontão superior entalhado com motivos ornamentais. O conjunto evidencia robustez estrutural aliada a acabamento refinado, típico do mobiliário burguês

Que peça linda — e cheia de história. Dá para responder em dois níveis: o valor histórico-cultural e a madeira provável do móvel, com base no período, no estilo e no que se vê na imagem.

📜 Valor histórico do móvel

Essa cristaleira/bufê com vitrine tem um alto valor histórico regional, especialmente no contexto do Ceará do fim do século XIX.

Por quê?

📅 Datação provável: final do século XIX / início do XX (c. 1880–1910), o que bate perfeitamente com a chegada do casal a Baturité em 1891.

🏡 Móvel de família fundadora: pertenceu a um casal identificado, com origem e data de migração conhecidas — isso é ouro do ponto de vista histórico.

🌄 Contexto de Baturité: nesse período, a serra era um polo econômico e cultural importante, com influência de famílias tradicionais vindas de Sobral e arredores.

🫖 Uso doméstico simbólico: cristaleiras não eram móveis comuns; indicavam status social, estabilidade econômica e adesão a hábitos burgueses (serviço de chá, louças finas, recepções).

👉 Resumo:

Não é apenas um móvel antigo — é um objeto de memória, representativo da formação social de Baturité no pós-Império e início da República.

Em museus locais ou coleções históricas, um móvel assim é tratado como peça etnográfica e histórica, não só decorativa.

🌳 Madeira provável

Pelas características visíveis (cor, veios, resistência, entalhes e época), as madeiras mais prováveis são:

🪵 Cedro (Cedrela fissilis) – muito provável

Muito usado no Ceará no século XIX

Fácil de entalhar (note os detalhes no frontão)

Envelhece escurecendo levemente

Bastante comum em móveis de famílias abastadas

🪵 Jacarandá (Dalbergia sp.) – possível, mas menos comum

Madeira nobre e cara

Mais escura e pesada

Normalmente associada a móveis urbanos de elite

🪵 Imbuia ou Canela

Também usadas em móveis robustos

Menos frequentes no Ceará, mas não impossíveis

🔎 Pelo tom médio, pela leveza visual e pelo trabalho artesanal, o cedro é a hipótese mais forte.

Uma confirmação definitiva só seria possível com análise direta da madeira (ou por um restaurador especializado).

💰 E quanto ao valor?

Se falarmos financeiramente, ele varia muito conforme:

Estado de conservação

Originalidade (sem reformas modernas)

Comprovação documental da origem

Interesse de museu ou colecionador

Mas, de forma geral:

💵 Mercado de antiguidades: valor moderado

🏛 Valor histórico-cultural: alto

📚 Valor para memória local: inestimável

Em termos práticos, esse móvel vale mais pela história que carrega do que pelo preço que alcançaria numa venda.


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