quinta-feira, 25 de novembro de 2021

AS IMAGENS DA CAPELA DE DONANINHA (CAPELINHA DE PACOTI) ESTÃO SENDO RESTAURADAS

Por iniciativa da Secretária-Tesoureira da Fundação Comendador Ananias Arruda, Claudia Lima Arruda, e contando com a colaboração de seus amigos e amigas, inclusive alguns médicos católicos, as imagens da Capela de Donaninha (Capelinha de Pacoti) estão sendo restauradas. 

Atualmente, por uma questão de segurança, essas imagens estão abrigadas no Museu Comendador Ananias Arruda e fazem parte do "Acervo Sacro" do referido museu.

Agradecemos, sensibilizadas, esse ato de amor, fé e generosidade das pessoas abaixo discriminadas:

Dr. Eduardo Antônio Furlani

Dra. Enilde Coutinho R. S. de Vasconcelos

Dr. Francisco José S. Vasconcelos

Dalton Sousa Carvalho

Ileuva V. Serra 

Carneli Pereira de Souza 

José Armano G. Bolfadine

Geraldo Teixeira Filho

José Dantas

Carlos Benevides

    Inauguração da Capela de Donaninha  -  Pacoti-CE 19 de janeiro de 1942
Altar principal - Cristo Crucificado - Virgem dolorosa, M. Madalena e São João Evangelista
       Altares laterais - Sant'Ana e Santo Inácio de Loyola
Altares Laterais - São Sebastião e São José

                                         

                     1 - Cristo Crucificado

                         2 - Virgem Dolorosa
                       3 - São João Evangelista
                         4 - Santa  Maria Madalena


                        5 - Sant' Ana
                         6 - Santo Inácio de Loyola

As imagens da Capela de Donaninha no Museu Comendador Ananias Arruda


Para quem quiser conhecer a "História de Amor" que envolve a capela, basta assistir ao vídeo - Elegia ao Amor, abaixo.
Para quem quiser conhecer o resgate da capelinha, basta assistir ao vídeo, abaixo


segunda-feira, 22 de novembro de 2021

MÉDICOS CATÓLICOS E O RESTAURO DAS IMAGENS DA CAPELA DO MUSEU CAA

 As imagens da capela do Museu Comendador Ananias Arruda estão sendo restauradas com a colaboração de alguns médicos católicos. Agradecemos, penhoradamente, esse ato de amor, fé e generosidade dos colegas. 

Cada médico custeou o restauro  de uma ou mais imagens

Abaixo, discriminados:

                                     
 
 Dra. Angelita Castro e Dr. Marcelo Gurgel



              Dra. Angela Uchôa

                 Dra. Angela Vasconcelos Brito

               Drs: Niobe Furtado Barbosa e Raimundo Barbosa


Dra. Aglair Barbosa

                        Dr. Arruda Bastos

          
 Dra. Clêide Maria Arruda Pires

                 Dra. Heloisa Almeida Said

A capela será restaurada guardando sua originalidade e as imagens voltarão, na medida do possível, para os seus lugares.

A Via-Sacra será restaurada com a contribuição de familiares e amigos.








quarta-feira, 17 de novembro de 2021

Por: Pedro Arruda - ANTEPASSADO ILUSTRE DA FAMÍLIA FURTADO DE BATURITÉ.

 

ANTEPASSADO ILUSTRE DA FAMÍLIA FURTADO DE BATURITÉ.             

TEXTO DO GENEALOGISTA PEDRO ARRUDA.      


Mestre João da Paz, meu 18º avô judeu e cientista.

Pintura em que meu 18º avô, Mestre João da Paz, é retratado ao lado de Pedro Alvares Cabral. Ele foi o primeiro judeu e cientista a pisar em território brasileiro. Escreveu, assim como Pero Vaz de Caminha, uma carta ao rei D. Manuel em que identifica a constelação Cruzeiro do Sul. Sua história é um enigma, teria vindo a Portugal em 1492 a procura de um refúgio, em consequência da expulsão dos judeus de Espanha. Tornou-se médico do Rei D. João II e logo após sua morte permaneceu como médico da corte, sendo próximo do Rei D. Manuel. Recebeu, em 1496, insígnias do mesmo monarca, que é o seu brasão visto neste post. 

Em 1500, estava na frota de Pedro Alvares Cabral que acabou aportando no Brasil. Faleceu no Porto, em 1536, onde deixou ilustre descendência, entre eles estava meu antepassado (Antonio Furtado de Mendonça e Meneses) que pisaria no Brasil séculos mais tarde.


Por: Clêide Maria Arruda Pires

Desde os 15 anos que Pedro Sávio faz pesquisas em genealogia. Fez a Árvore genealógica da Família Furtado e  chegou até  Leonor Ribeira, nossa ancestral judia que morreu no cárcere, em 1595.

Com essa descoberta, todos nós, descendentes,  podemos  receber a cidadania portuguesa.

A comprovação desses fatos foram feitos com documentos.  Documentos no Brasil e em Portugal,  principalmente na Torre do Tombo,  em Lisboa.

domingo, 7 de novembro de 2021

SEJA AMIGO DO MUSEU COMENDADOR ANANIAS ARRUDA

 BASTA SE INSCREVER NO LINK ABAIXO

OBRIGADA!


https://docs.google.com/forms/d/e/1FAIpQLScKTqoP-vveMYx2TEqs5ihdSyhOURMVKw0W5LdAlD4lR5u2gg/viewform


PRIMEIRA REUNIÃO VIRTUAL DOS DESCENDENTES DE LUIZ FURTADO E ADELINA DE ARRUDA FURTADO - 6.11.2021

Ontem, 6.11.2021, sábado, aconteceu a primeira reunião virtual dos descendentes do casal Luiz Furtado e Adelina de Arruda Furtado, com uma expressiva participação de netos e bisnetos do casal.

DESCENDÊNCIA DO CASAL 

21 filhos, dos quais 4 falecidos infantes e 2 abortícios; 

50 netos, com 3 falecidos; 

88 bisnetos, contando-se 3 falecidos e 3 adotivos; 

3 trinetos

Fonte: ARRUDA FURTADO - Firmes na Fé, Perseverantes nos Mandamentos, 1987




        Gravação da reunião virtual 6.11.2021

       SEJA AMIGO DO MUSEU. FAÇA SUA INSCRIÇÃO NO LINK ABAIXO

                                      https://forms.gle/Mm38sDwS3aTf5r3G9

terça-feira, 2 de novembro de 2021

Por: ana margarida furtado arruda rosemberg - AS SETE FACETAS DE MEU PAI

                         
                  Miguel Edgy Távora Arruda

AS SETE FACETAS DE MEU PAI

Como um diamante que explode a luz em sete cores, meu pai, Capitão Edgy Távora Arruda, durante sua longa e profícua existência, irrompeu seu talento profissional em sete facetas. Foi militar, administrador público, historiador, professor, memorialista, jornalista e escritor.

Ao tentar falar sobre sua vida e seu grandioso legado em tão exíguo tempo, fico pensando quais das facetas devo abordar. O militar cumpridor de seus deveres? O competente administrador público de conduta ilibada? O historiador apaixonado? O professor brilhante e dedicado? O memorialista sonhador e empreendedor? O jornalista amante da verdade? O escritor singular? São tantas as facetas de meu pai que confesso a impossibilidade de abordá-lo em sua totalidade. Entretanto, sinto-me à vontade em apresentar sua faceta de historiador, por ter dele herdado, ao lado de seu neto, Luiz Gustavo, a paixão pela História.

Meu pai foi um historiador na mais completa acepção da palavra. Possuidor de uma inteligência privilegiada, uma memória invejável e, sobretudo, uma fantástica eloquência, difundiu seu saber na atmosfera das salas de aula.  Com simplicidade, sabedoria, entusiasmo e paixão, transmitiu seus vastos conhecimentos.

Além de professor de História, meu pai foi um pesquisador meticuloso, deixando um importante legado histórico. Evocando o pretérito, ele desvendou fatos que se desenrolaram outrora, nos velhos tempos, em Monte-Mor o Novo d’América, e que estavam recobertos pela pátina do tempo. Debruçou-se com determinação em documentos históricos, para subtrair a pátina e trazer à luz a história da cidade que tanto amou, Baturité.

A paixão foi o denominador comum de todos os atos de sua vida. Escondida aqui e ali por sua timidez nata, mas surgindo lá em uma atitude, numa ação desassombrada, na frase de um discurso, no desvelo com minha mãe e sua numerosa prole, na organização e registro das convenções da Família Arruda. Em todas essas ocasiões, ele foi movido, com a alma incendiada, pela paixão.

Sua existência não se restringiu apenas às noventa e uma voltas e meia que deu em torno do sol, mas a bilhões de voltas, por ter sido um historiador de amplos conhecimentos. Como tal, meu pai viu o alvorecer da Terra dentro de uma gigantesca nuvem de gás e poeira há, aproximadamente, cinco bilhões de anos. Viu os períodos pré-cambriano e cambriano, e as primeiras formas de vida brotarem nas águas quentes e serenas do mar.

Viu os dinossauros surgirem, dominarem a Terra durante cento e sessenta milhões de anos, e se extinguirem.  Viu, há dois e meio milhões de anos, os primeiros hominídeos fabricarem armas rudimentares de pau e pedra, dominarem o fogo e inventarem a roda.  Viu, na Mesopotâmia, berço de nossa civilização, surgirem a agricultura, a escrita, as primeiras cidades e o Código de Hamurabi. Viu em Ur, nascer Abraão, pai das religiões monoteístas, como o judaísmo, o cristianismo e o islamismo. Viu Sumérios, Babilônicos, Assírios, Persas e Gregos. Viu as pirâmides do Egito erguerem-se imponentes pelo trabalho de milhares de escravos. Viu Tutankhamon, faraó do Egito Antigo, ser sepultado com seus tesouros. Viu Cleópatra, a última rainha egípcia, da dinastia de Ptolomeu, deixar-se picar por uma serpente. Viu a Grécia florescer com seus filósofos e Roma expandir seu Império com seus Césares.

  Viu Cristo ser crucificado por nos legar uma forte mensagem de paz e amor. Viu o Império Romano ruir e a Igreja Católica se firmar no Ocidente. Viu o feudalismo medieval, as pestes, o renascer das artes e a Revolução Francesa. Viu os reis de França, Louis XVI e Maria Antonieta, subirem ao cadafalso e Napoleão dominar a Europa. Viu a descoberta do Novo Mundo e o massacre impetrado pelos Europeus, ditos civilizados, aos índios da América. Viu o homem escravizar o próprio homem. Viu os negros africanos derramarem suor e sangue para fazer a riqueza do Brasil. Viu a abolição da nossa escravatura e a proclamação da República. Viu, na Inglaterra, o brotar da Revolução Industrial. Viu a Revolução Comunista e Nicolau II, o último Czar da Rússia, ser massacrado com toda a sua família. Viu a barbárie de duas guerras mundiais no Século XX, o holocausto dos judeus e a bomba atômica.

Viu muito mais, mas viu, principalmente, seus pais atravessarem a vida em uma perfeita união. Viu os oito irmãos, tios, avós, primos, sobrinhos, cunhados e cunhadas. Viu amigos fiéis e muitos admiradores. Viu, fascinado, minha mãe adentrar de branco a Igreja do Patrocínio, em sua pureza virginal, para com ele entrelaçar sua vida. Viu quinze filhos, trinta e quatro netos e treze bisnetos, além das noras e genros.

Finalmente, viu a concretização do seu sonho de historiador. O sonho de criar o Museu e a Fundação Comendador Ananias Arruda, e manter o jornal “A Verdade” em circulação.

Por tudo o que realizou, meu pai é merecedor da gratidão e admiração não só dos que aqui estão reverenciando sua memória, mas de todos os familiares e amigos que angariou durante sua longa jornada terrena.

A morte é uma fatalidade biológica, dizia Rosemberg. Devemos recebê-la estando quites com a vida pelas realizações que fizemos para enobrecê-la. Neste contexto, meu pai partiu com os maiores dividendos e, por isso, devemos cultuar sua memória e preservar o seu legado para a posteridade. Assim, ele não morrerá nunca, estará presente sempre, SEMPRE...

 

                              Fortaleza-CE, 29 de setembro de 2010  

                                      Ana Margarida Furtado Arruda Rosemberg

 

 

sábado, 30 de outubro de 2021

RESGATANDO JORNAL "A VERDADE" DE 14 DE FEVEREIRO DE 1937

 


Este fato, noticiado no Jornal "A Verdade" e descrito abaixo por Miguel Edgy Távora Arruda, em 1991, (depoimento oral), foi publicado no Livro "RELEMBRANÇAS - lampejos de minha memória" (2019), organizado por ana margarida furtado arruda rosemberg.

"No ano de 1937, por ocasião do carnaval, a cidade encheu-se de boatos que iria haver uma grande perturbação da ordem. Meu tio foi a Fortaleza, falou ao governador Menezes Pimentel qual era a situação da cidade e o governador resolveu nomear um delegado especial para o período dos festejos carnavalescos.

Baturité tinha como delegado de polícia um sargento da força pública que era um homem, de inteira confiança do meu tio, chamado Sargento Sebastião. Mas, como ele era apenas sargento o governador achou por bem indicar um delegado especial e nomeou um tenente da polícia que aqui veio, nas vésperas do carnaval, e se hospedou na pensão do Sr. Félix Franco.

Os três dias de carnaval decorreram pacificamente, mas o golpe foi dado na noite da terça feira de carnaval para amanhecer a Quarta-Feira de Cinzas. O golpe foi dado da maneira que só podia sair das cabeças desses elementos que eram mesmo maquiavélicos.

Um grupo de pessoas formou uma espécie de serenata e às 2:30h da manhã elas saíram e foram à casa do Sargento Sebastião e começaram a cantar à porta da casa, letras difamatórias adaptadas em músicas carnavalescas.

O Sargento Sebastião acordou e, inteligentemente, saiu de sua casa pelos fundos e foi acordar os soldados do destacamento policial. Depois de armá-los na delegacia, os levou até a pensão do Senhor Félix Franco e acordou o delegado especial tenente da polícia, Tenente Martinho Rodrigues. Isto levou algum tempo...

Enquanto isto, o grupo desceu a Avenida Proença, penetrou nos jardins da casa do meu tio (o vaticano) e foi cantar as suas músicas com suas letras difamatórias e difamantes na porta da casa, dentro do jardim que ficava fronteiro a casa. O meu tio que era um homem de paz e de harmonia e a família ouviu tudo aquilo sem nenhuma reação.

De lá, o grupo desceu pela 7 de Setembro e veio à casa de meu pai. Exatamente em frente a esta casa, onde me encontro agora, neste instante, eles começaram a cantar em frente à primeira janela que daqui eu estou vendo. Eu, que dormia no terceiro quarto da casa, acordei (eram 3 horas da manhã) com aquela música, com aquela cantoria que me dava impressão de uma serenata. Mas, apurando o ouvido comecei a verificar que a letra...  

 Como ia dizendo na primeira parte, no primeiro lado desta fita, comecei a perceber que as letras das músicas que eu ouvia eram todas elas de calunias e de infâmias assacadas contra o meu tio Ananias e contra o meu pai. 

Imediatamente, já desperto, gritei para a minha mãe: “Mamãe está ouvindo isto?” Ela gritou e disse: “Estou, sim”. Aí, eu grito pra ela: “Vamos abrir a janela?” E ela respondeu incontinente, com aquela coragem que lhe era peculiar. “Vamos”.

Eu corro do meu quarto, atravesso o quarto das minhas irmãs, atravesso o quarto dos meus pais, atravesso a sala de visitas e escancaro a janela, sempre com minha mãe ao meu lado. Ao abrir a janela o grupo tomou um susto, talvez pensando que ia sair, através da janela, uma resposta violenta, talvez até tiros, mas nós estávamos desarmados. A única arma que nós tínhamos era a palavra e, de peito aberto, eu e minha mãe os interrogamos. O que eles queriam? Eram uns canalhas que vinham na calada da noite acordar uma família, como a nossa, que dormia sem nenhuma defesa e sem nenhuma proteção. Então, iniciou-se uma discussão.

Eu procurei ver quem eram as pessoas que ali estavam. O primeiro que eu percebi foi o Dr. Edmundo Vitoriano que procurou se disfarçar chegando um pouquinho pra trás e ficando no vão do portão lateral da casa. Verifiquei também que fazia parte do grupo o tenente do exército Erialdo Dutra Ramos, filho do chefe político Dr. João Ramos que era adversário do tio Ananias.

Esse tenente do exército estava em casa, devolvido pelo exército que tinha constatado que ele sofria das faculdades mentais e o tinha mandado pra casa, pra se recuperar. O seu fim foi trágico porque, anos depois, ele pegou um revólver, de seu cunhado Saraiva Xavier casado com sua irmã, e detonou um tiro na própria cabeça, suicidando-se.

Outro elemento que estava presente era o coletor estadual de Baturité, com o seu filho que era um rapazinho muito atrevido. O coletor de Baturité era conhecido e era um homem que, embora ocupando um cargo de confiança do governo, fazia oposição aberta ao tio Ananias, que na sua tolerância, não tinha ainda se queixado dele ao governador do Ceará.

O seu filho, mais ou menos da minha idade, que era o mais atrevido, iniciou uma discussão violenta comigo e interessante, ele me convidava pra pular pra fora da casa, que ele ia medir forças comigo. Eu respondi imediatamente: “Não, eu não vou pular pra fora, não, pule pra dentro, pule pra dentro que aí eu meço forças com você”. Mas ele não tinha coragem de pular pra dentro.

Enquanto isto estava acontecendo, meu pai, penosamente, se levantou e se dirigiu ao quarto, do lado da sala, onde estava guardado o cofre do banco e sem luz elétrica (pois naquele tempo uma hora dessas não havia mais luz elétrica) à luz de velas procurou abri-lo formando o segredo da porta pra tirar o revólver que estava trancado no cofre com uma caixa de balas, também do lado, e não conseguia, naquela afobação, abrir o cofre.

A minha tia avó Elisa correu de seu quarto, em trajes de dormir, e gritava pra mim e pra minha mãe que acabássemos com aquela discussão, acabássemos com aquilo, fechássemos a janela porque ela tinha medo de que saísse ali uma desgraça.

Até que esses homens, naturalmente achando que não valia mais a pena continuar aquela discussão, em que veio a tona até casos outros envolvendo a minha tia Adelina e o joalheiro de Fortaleza que não tinha muita fama de honestidade, resolveram ir embora.

Nós fechamos a janela e resolvemos ir dormir sem saber o que estava ocorrendo. Acontece que o Sargento Sebastião que tinha tomado a providência de sair de casa, ido acordar os soldados do destacamento policial, passado pela delegacia para armá-los, ido à pensão do Félix acordar o delegado de polícia (delegado extraordinário, especial), desceu em grupo a rua 7 em procura dos meliantes e foram encontra-los no bar do Miguel Filho, em volta de uma mesa, bebendo e, naturalmente, festejando o grande feito que tinham praticado. Imediatamente eles receberam ordem de prisão do tenente e do sargento e como se esboçou uma certa reação, o tenente revistou todos eles, tomou o revólver que estava em poder do Dr. Edmundo Vitoriano e os levou para a delegacia onde eles permaneceram até cinco horas da tarde, cinco horas da manhã, digo.  O dia ia nascer e o tenente achou que nessa altura podia relaxar a prisão e imediatamente passou um telegrama para o chefe de polícia.

Tio Ananias também saiu muito cedo de casa, foi ao telégrafo e passou quatro telegramas. O primeiro para o Governador Menezes Pimentel, o segundo para o Secretário de Polícia que se chamava, naquele tempo, Chefe de Polícia, que era o Capitão Cordeiro Neto, o terceiro para o Dr. José Martins Rodrigues que era o Secretário de Estado do Interior e Justiça e o quarto para o Dr. Plácido Castelo, que era o Secretário da Fazenda. 

Esses telegramas foram passados com taxa de urgente e logo que chegaram à Fortaleza, o Governador Menezes Pimentel providenciou, imediatamente, a vinda pessoal do Capitão Cordeiro Neto (Secretário de Polícia e Segurança Pública, que naquele tempo se chamava de Chefe de Polícia), à Baturité. Poucas horas depois chegava o próprio Chefe de Polícia a Baturité com dois delegados de polícia, escrivão e toda a comitiva e foram para a delegacia, onde convocou todos esses elementos para depor e mais algumas testemunhas que tivessem presenciado o acontecimento.

Aí, ocorreu um caso até interessante. Morava perto da nossa casa uma senhora que tinha o nome de Edvirges Caminhão. Ela acordou e abriu a janela. Foi a única pessoa que ouviu o que estava ocorrendo na casa do meu pai e ficou de lá, ouvindo. Só que ela baralhou tudo o que ouvia e no depoimento foi dizer que tinha ouvido eu dizer, de dentro de casa, que ia atirar nos agressores. Nada, eu não dizia que ia atirar coisa nenhuma, mesmo porque eu não tinha revólver. O revólver estava dentro do cofre e o meu pai não conseguia abri-lo.

Isto aconteceu em 1937 e foi uma sensação na cidade a reação imediata do governador, das altas autoridades do Estado, em apoio moral e material ao tio Ananias, injustamente injuriado e atacado na calada da noite, em sua residência; ao meu pai, que além de ser uma pessoa de bem, na ocasião era vereador e secretário da Câmara Municipal e nós ficamos deveras confortados com esse episódio.

Uma consequência desse episódio já ia, no âmbito familiar. A minha tia Naninha, mulher do tio Ananias, ficou tão preocupada com este acontecimento, mesmo porque no dia seguinte, algumas pessoas eram de opinião que devia ter havido uma resposta violenta do meu tio. O Cel. Hermenegildo Furtado que morava vizinho a ele e não tinha ouvido nada, não tinha percebido nada, foi logo de opinião que o tio Ananias devia ter respondido com bala e a minha tia Naninha ficou nervosa e pediu ao tio Ananias que saísse daquela casa e viesse morar mais no centro da cidade. A casa não era longe do centro, mas era um pouco afastada. Isto fez com que o tio Ananias comprasse, adaptasse e reformasse a casa da rua 7 de Setembro 1097, onde ele morou o resto da vida e que hoje é o museu que tem o seu nome. “Museu Comendador Ananias Arruda”.

Apenas para encerrar este depoimento eu tenho que dizer que o coletor estadual, que tomou parte deste lamentável episódio, chamava-se Casemiro Pinto Nogueira e seu filho chamava-se Júlio Pinto Nogueira.  Os dois foram levados para Fortaleza, presos pelo Capitão Cordeiro Neto, depois que este concluiu o inquérito policial que veio instaurar em Baturité e eu não sei que fim eles levaram. Acredito que o coletor, que nunca mais apareceu em Baturité, tenha sido demitido pelo governador e pelo Secretário da Fazenda que era o Sr. Plácido Castelo, ou removido para um município muito distante.  Do filho dele, também não tenho notícias. Depois de passados tantos anos, eu não sei o que dele foi feito.

Aqui encerro este meu primeiro depoimento. São 11h da noite do dia 8 de outubro de 1991.

São 8:30h da noite do dia 14 de outubro de 1991. Eu aproveito o resto da fita cassete para fazer uma complementação dos episódios que já foram relatados.

Gostaria de repetir que o episodio da cantoria que ocorreu na porta da casa do Sargento Sebastião (delegado de polícia), na porta da casa do tio Ananias e na porta da casa do meu pai, ocorreu na madrugada da Quarta-Feira de Cinzas, do dia 10 de fevereiro de 1937.

Um detalhe que não me ocorreu na ocasião do relato deste episódio e que me foi lembrado pela minha irmã Livramento é que minha mãe, quando ao meu lado abriu a janela e enfrentou os elementos que estavam cantando injurias e calunias na porta da casa de meu pai, empunhava um sapato. Era a única arma que tínhamos na ocasião para enfrentar estes agressores verbais da nossa família".


sexta-feira, 29 de outubro de 2021

REUNIÃO DO PRESIDENTE DA FUNDAÇÃO COMENDADOR ANANIAS ARRUDA COM O MINISTÉRIO PÚBLICO

Ontem, dia 28/10/2021, quinta-feira, uma comitiva composta por membros da família Arruda esteve em Baturité-CE para uma audiência com o Ministério Público a fim de adequar a Fundação Comendador Ananias Arruda a uma nova personalidade jurídica, ou seja, uma Associação.   


Abaixo, nota  do presidente da Fundação CAA, Comandante Raimundo Luiz Furtado de Arruda

A Reunião com o Ministério Público foi o primeiro passo para a adequação da nossa convenção para uma associação. 

De acordo com os entendimentos na reunião extra judicial de hoje, os nossos advogados vão preparar um requerimento com a nossa solicitação,  visando gerar um documento para o cartório, receita Federal e BB,  que poderá ser expedido pelo MP, após  criteriosa análise.

                   No Museu Comendador Ananias Arruda
Da esquerda pra direita: João Gabriel, Claudia Danielle, Claudia, Ana Catarina, Raimundo Luiz, Ana Margarida, Angela e Sinval