A VERDADE - 14.04.1918 - p.3
É um BLOG para divulgar o Museu Comendador Ananias Arruda (MCAA), inaugurado em 23 de maio de 1986, em Baturité-CE, pelo historiador Miguel Edgy Távora Arruda. Com sede na Av. 7 de Setembro 1097, o museu preserva a História / Memória de Baturité. O MCAA é privado e mantido pela Fundação C. Ananias Arruda. Está integrado ao Sistema Estadual de Museus do Ceará (SEM-CE). Entre os acervos, estão os exemplares do Jornal "A VERDADE", criado, em 1917, por Ananias Arruda.
A VERDADE - 14.04.1918 - p.3
A Verdade - 10.03.1918 - p.2
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A Verdade 10.02.1918 p.1
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A Verdade - 13.01.1918 - p.1
No dia 08/04/2023, sábado próximo passado, o Museu Comendador Ananias Arruda teve a honra de recebeu a visita ilustre da Dra. Heloisa M. de Almeida Said acompanhada de familiares (seu marido Deoclecio Said, sua irmã Inez Almeida e marido Francisco Rodrigues de Freitas).
No mesmo dia, o museu teve a alegria de receber a visita de Davi Arruda, neto do idealizador do museu, Capitão Miguel Edgy Távora Arruda, e sobrinho-bisneto do Comendador Ananias Arruda, acompanhado de sua namorada Teresa.
Registramos a presença dos visitantes, que muito nos alegrou, e agradecemos a acolhida das funcionárias do Museu (Cleonice e Ivonice).
UM OBELISCO CENTENÁRIO E
FLORIDO PARA A TIA JUCA
Maria
Julieta Távora de Arruda Monteiro (tia Juca), a quinta entre os nove filhos do
casal Raimundo Arruda e Noemy Távora de Assis Arruda, nasceu no dia 19.05.1927,
em Belém do Pará. Sua longa e profícua trajetória terrena, de mais de 95 anos,
encerrou-se no dia 12.10.2022.
Tocantes
e merecidas homenagens lhe foram prestadas por familiares e amigos em seu
velório, na funerária Paz Eterna, em Fortaleza. Porém, devo ressaltar que a
maior homenagem foi seu túmulo em um jazigo centenário, em forma de obelisco,
onde repousam seus pais, Raimundo e Noemy, e seu tio materno Olintho, no
cemitério São João Batista de Fortaleza.
A
história desse jazigo é fruto do amor de Maria Távora de Assis, avó materna de
Julieta, por seu filho Olintho Távora de Assis, consumido pelo bacilo da
tuberculose, na flor da idade.
Marinheiro
da Marinha de Guerra, Olintho contraiu tuberculose a bordo de um dos navios e
foi enviado para a casa dos pais com pouco mais de 19 anos, falecendo no dia 30
de maio de 1923, antes de completar 20 anos.
Sua mãe, ao
ver o filho sendo enterrado em uma cova simples, cavada no solo, tratou de
erigir um túmulo sobre a mesma e afixar duas placas: com os seguintes dizeres:
OLINTHO TÁVORA DE ASSIS
28-6-1903
30-5-1923
SAUDADES
DE SUA MÃE E IRMÃOS
e
JAZIGO
PERPÉTUO DA FAMÍLIA
DE MARIA TÁVORA DE ASSIS
Ao cair
da tarde vendo de perto o caixão da tia Juca descer à sepultura e ser colocado ao
lado dos restos mortais de seus pais e de seu tio Olintho, duas lágrimas quentes
brotaram dos meus olhos cansados e correram pelos sucos sinuosos das rugas do
meu rosto.
Ao ver o
coveiro, em seu trabalho tão essencial à humanidade, fechando o ciclo da vida
de tia Juca, lembrei-me da parteira que, ao ajudar a minha avó Noemy durante o parto,
abriu o ciclo da vida de sua filha Julieta, há 95 anos. Em silêncio, os
reverenciei.
Olhei
para o singelo obelisco e lembrei-me do
magnifico obelisco de 3.300 anos, que veio do “Templo de Amon”, em Luxor, no
Egito, e que os franceses ostentam orgulhosos na Praça da Concódia (Place de
la Concorde), em Paris.
Lembrei-me
de um trecho do poema de Fernando Pessoa
“O Rio
da Minha Aldeia”
“O Tejo é mais belo que o rio que
corre pela minha aldeia,
Mas o Tejo não é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia
Porque o Tejo não é o rio que corre pela minha aldeia”.
Ao ver,
finalmente, o centenário obelisco, rodeado com tantas flores, pensei: É O MAIS
BELO OBELISCO DO MUNDO!
Se pudesse resumir a grandeza da Tia Juca em uma só palavra, seria: SOLIDARIEDADE.
Ao
deixar o cemitério, disse baixinho: Descansa em Paz, tia Juca!
ana margarida furtado arruda
rosemberg
Fortaleza, 14 de outubro de 2022
FESTA DE CASAMENTO DE ANANIAS E ANA CUSTÓDIO
Ananias Arruda e Ana Custódio casaram-se no dia 17 de setembro de 1911, na
Matriz de Baturité-CE. A cerimônia de núpcias foi celebrada pelo Monsenhor
Manoel Cândido, tio da noiva.
Naquela manhã de setembro, na casa de seus pais, Coronel Miguel de
Arruda e Livramento Vasconcelos Arruda, um burburinho de regozijo pairava no
ar.
Ananias,
o noivo, um jovem de 25 anos, encantara, com seu olhar sonhador de um azul
profundo, uma bela adolescente que o encantara também. A noiva, Ana, filha
de Custódio e Águida, possuía uma beleza quase angelical, no desabrochar dos
seus 16 anos.
O vestido branco de brocado, fechado até o pescoço e ornado com
pedrarias e joias, realçava o candor virginal de Ana. A cintura bem fina,
marcada com uma rosa, dava-lhe, paradoxalmente, um toque sensual. Uma grinalda
de pedras preciosas prendia o véu de tule de seda que, ao mesmo tempo, escondia
e destacava a beleza da noiva.
Ana
estava radiante como “Ishtar”, antiga deusa do Amor, que foi coberta por um véu
de vapores da terra e do mar, ao surgir das profundezas. O noivo, Ananias,
elegantemente vestido de fraque preto, camisa e luvas brancas, trazia no olhar
energia e determinação.
Após a
cerimônia, os noivos receberam os cumprimentos na casa de Miguel e Livramento e
todos festejaram aquela união. Chegada a hora da fotografia, os 39 membros da
família posicionaram-se e observaram a máquina que tinha um formato de caixa
com um pano preto. O fotógrafo olhou o grupo, através dela, com o pano
sobre a cabeça. Depois, pediu para que todos ficassem imóveis. Quando ele
percebeu que estavam todos em seus lugares e imóveis, abriu o diafragma e expôs
por alguns segundos a chapa fotográfica. Depois, fechou o diafragma e a
fotografia foi tirada para a posteridade.
Os noivos foram fotografados. Ele sentado e ela, ao seu lado, em pé,
como era costume da época. As seis noras do casal Miguel e Livramento, todas em
pé, lado a lado, foram fotografadas, também.
Quando se
casou com Ana, Ananias já desenvolvia uma profícua atividade sociorreligiosa.
Com apenas 14 anos, tomou parte da fundação da Conferência de São Luiz de
Gonzaga. Com 15 anos, ainda estudante, foi professor e, logo depois, diretor da
Escola Paroquial do Menino Deus, para crianças pobres.
Concluiu seu curso de humanidades, em 1902, com 16 anos, iniciando
sua vida profissional na firma dos irmãos Antônio, José e Vicente. Em 1904, com
18 anos, fundou o Círculo Operário Católico de Baturité.
A visita semanal
aos presos da Cadeia Pública de Baturité e a Páscoa anual, Ananias realizou
desde a idade de 15 anos até o fim de sua vida.
Sua união com Ana foi amalgamada com um amor que perdurou durante toda a vida de Ananias. Mesmo depois da morte de sua esposa, que faleceu relativamente jovem, Ananias manteve-se fiel a sua memória. Ele, movido por este amor e pela fé indômita, que sempre o acompanhou, realizou grandiosas obras durante sua longa e abençoada existência.
ana margarida furtado arruda rosemberg
Paris, 14 de setembro de 2022